Correr faz bem para quase tudo. Ajuda o coração, deixa a cabeça no lugar e bota o corpo para trabalhar direitinho. Mas não é só calçar o tênis e sair por aí. Quem lembra é o ortopedista Marcos Cortelazo, que vive atendendo iniciantes empolgados demais. Ele diz que muita gente começa com roupa e tênis errados. E ainda tenta treinar sem rumo, o que costuma acabar em dor desnecessária.
Ele comenta que o corpo sente rápido quando algo está fora do ponto. Quem está acima do peso, por exemplo, força demais as articulações logo de cara. E tem o clássico pacote de descuidos: falta de musculação, zero alongamento e aquela mania de correr todo santo dia. O corpo simplesmente não acompanha.
Antes de acelerar o passo, o médico insiste no básico. Um aquecimento caprichado de uns 10 a 15 minutos acorda o sangue, lubrifica as articulações e coloca o pulmão no ritmo certo. Caminhar um pouco antes da corrida já ajuda a engrenar sem susto.
As lesões mais comuns aparecem justamente quando a pressa toma conta. Cortelazo cita fraturas por estresse, que surgem tanto no iniciante que força além da conta quanto no atleta experiente que exagera na carga. Do outro lado, o ortopedista Fernando Jorge lembra que quem resolve correr todo dia costuma colecionar fascite plantar, dores na parte externa do joelho, tendinopatias e outras chatices. Ele aponta três vilões clássicos: aumentar o treino rápido demais, não fortalecer a musculatura e usar calçado inadequado.
O descanso entra aqui como peça fundamental. Parece simples, mas muita gente ignora. O corpo precisa de tempo para limpar o “lixinho” que a corrida deixa nos músculos. Sem esse intervalo, a fadiga domina e o desempenho despenca. É aquele dia em que a perna não responde e a corrida não rende.
Existe ainda o alerta silencioso do corpo. Dor que não passa depois de dois dias, inchaço, mudança na pisada e cansaço fora do comum são sinais claros de que é hora de parar e procurar um especialista. Cada corredor tem seus limites, e eles mudam conforme o nível de treino. Mas a regra é igual para todos: sentir dor articular, dor muscular ou fadiga constante não é normal.
Cortelazo reforça algo que muita gente só lembra depois que dá errado. Comer direito e se hidratar faz parte do pacote. Quando falta água ou energia, o corpo reclama com dor de cabeça, cansaço e desconforto nas articulações.
No fim das contas, correr bem é encontrar o ponto certo entre treino, descanso e preparação. O corpo sempre avisa. Só não dá para ignorar.
