A volta do corselet até chamou atenção, mas o que realmente pegou na fala de Paula Fernandes foi o recado escondido: ela cansou de ser empurrada pela indústria e decidiu buscar a Paula que ficou presa lá em 2011. A repercussão veio forte porque não é todo dia que uma artista famosa admite, sem filtro, que segurou as pontas para não virar produto de prateleira.

A declaração sobre “não me vendi, não me prostituí, não quis acelerar” virou o trecho mais citado pelos fãs, justamente por tocar numa ferida antiga do sertanejo. A pressão por hits em série, pela música da semana, pelo “tem que lançar porque todo mundo está lançando”, já vinha sendo criticada veladamente por vários artistas. Paula só disse em voz alta o que muitos evitam.

A torcida dela enxergou isso como um reencontro. Muita gente comentou que gostava mesmo era da fase “brega”, da Paula de voz limpa, arranjo romântico e estética própria. Essa volta ao próprio eixo gerou uma espécie de alívio coletivo. Para os fãs, ela não se perdeu. O mercado é que tentou levá-la para longe de si.

Ao mesmo tempo, o debate ganhou outra camada quando Paula falou de maturidade e da vida pessoal que ficou guardada por anos enquanto ela sustentava família, gravadora e uma avalanche de expectativas. O público percebeu ali uma honestidade difícil de achar na música pop, que costuma maquiar desgaste com brilho.

E ainda teve a cutucada no próprio cenário sertanejo, dizendo que a música andou cansativa e repetitiva. Não foi ataque, mas o suficiente para movimentar conversas. Num gênero que já virou linha de produção, ouvir alguém falar em “sentimento, romantismo e resgate” soa quase como manifesto.

O lançamento do EP “Simplesmente, eu” entrou nesse clima. Não é só música nova, é um recado: Paula está retomando o controle, ritmo próprio, estética própria, jeito próprio. E, pelas conversas nas redes, o público não só entendeu como estava esperando por isso.

No fundo, a cantora fez algo raro no meio sertanejo atual. Em vez de seguir o fluxo, resolveu remar de volta para si mesma. E isso, num mercado tão acelerado, é quase um ato de rebeldia.

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Jornalista com registro no MT desde 2022, atuando na área desde 2019. Produtor de eventos desde 1998 e desenvolvedor web desde 2007, com foco em WordPress e conteúdo digital. No Pista Livre, é responsável pela criação, edição e estratégia dos conteúdos.